A melhor coisa de ler é se encontrar. Ou se perder. Ou discordar. Ou se irritar e esbravejar. Sentir, enfim. Estava lendo a Clarice Lispector descrevendo o seu modo de agir e me vi nela, o que me trouxe um sorriso ao rosto. É tão reconfortante saber que outros agem da mesma forma que eu. Positiva e negativamente. Eu sou extremamente impulsiva e o resultado na minha vida é exatamente igual ao descrito pela grande escritora que admiro.
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.” (Texto extraído do livro Aprendendo a viver, Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2004)

Às vezes eu acho que sou a Alice , mas outras vezes eu penso que sou mesmo é o coelho apressado, tamanha a correria em que vivemos. Mas sim, a vida no mundo do patchwork é mesmo uma maravilha. Quer seja fazendo, quer seja ensinando, é sempre muito bom.