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Archive for maio \31\UTC 2010

Tenho pensado muito nesses útimos dias. A solidão é maravilhosa para poder refletir. Mas não é fácil. Analisar friamente os seus atos não é uma coisa da qual se saia impune. E, reconheço, tenho agido muito mal para comigo mesma nesses últimos tempos.

É que me parece que entrei em um enorme buraco negro que nada consegue preencher. E quanto mais tento preencher esse vazio, mais vazio ele me parece. E, para fingir que não percebia esse vazio imenso e devorador eu preenchia todos os segundos da minha existência. Até que parei, pois ninguém consegue viver nesse rítimo frenético para sempre.

Percebi que preciso curar minhas feridas sozinha. Não é justo arrastar outros para o meu buraco negro. Por mais que eu goste de alguém, que seus filhos gostem de mim, que seja uma pessoa agradável e gentil, quem é que eu estou enganando? O meu buraco grita para mim: Você não o ama! E eu pensei nesses últimos dias que por mais confortável que seja para mim, não posso envolver outros na minha confusão interior.

Uma pessoa muito amada me disse uma vez que o que ele havia tirado de mim eu não encontraria em lugar nenhum que não fosse com ele. Ele tinha toda a razão. Me lembrei que a mãe de Lancelot enterrou a essência do seu coração em Avalon para que ele nunca tivesse um lar em lugar nenhum que não fosse aquele. Assim, mesmo que ele fosse às terras mais distantes, seu coração sempre ansiaria por voltar para casa. O meu coração está assim. Homeless. E não se contenta com quaquer outro abrigo. Está acorrentado, enterrado em seu lar e anseia por ele.

Hoje no sermão do culto da 2ª Igreja Batista de Curitiba o pastor falava sobre o plano de Deus para a nossa vida. E que quando nos deparamos com uma oportunidade não devemos temer o novo. É o criador nos dando suas dádivas. Se recuamos por medo do desconhecido como pode o Pai nos mostrar o seu grande plano para a nossa existência? As grandes mudanças não se apresentam por acaso… Espero realmente entender qual é esse plano. Creio que como temos essa visão limitada e humana das coisas, por vezes não entendemos a visão divina.

Meu plano agora é ser paciente e esperar. E aceitar os designios do Criador…

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A dor consolidada

Tenho uma grande amiga que ficou viúva aos 24 anos. Évermeer2 uma história tão triste que é de fazer alemão chorar, como diz o meu pai. Ela e o noivo estavm com o casamento marcado e foi detectada uma doença. Os médicos disseram que era operável. Eles, muito apaixonados, seguiram com os planos do casamento. Casaram-se, dormiram a noite de núpcias no apartamento deles. Ele se internou no dia seguinte ao da lua-de-mel para a cirurgia. E morreu no hospital pouco tempo depois.

Eu perguntei à ela se a dor da perda de alguém assim tão amado não era enlouquecedora. Ela me disse que segurou a mão dele na UTI e disse que ele podia ir. Só no dia da morte dele é que ela realmente se deu conta que iria perdê-lo. Mas que tudo é intenso demais e que não é suportável ver os que amamos sofrerem. Naquele momento só se pensa no outro. Ela me disse que todos a ampararam no dia do enterro e que ela estava exausta naquele momento. E triste e deprimida.

Ela me disse que o pior,  no entanto, vem depois. Eu havia perguntado se o tempo não ajuda a curar a dor. Ela me disse que muio pelo contrário. Com o tempo, a certeza  de que ele nunca mais voltaria doía na alma dela. Era um espinho encravado que só se aprofundava. Ela me dizia que com o tempo a porta nunca mais se abre para aquela pessoa entrar e a sua voz vai se perdendo na sua memória embora no seu âmago a esperança da volta ainda não tenha morrido. Ela me disse que você acha que vai enlouquecer com o tempo que passa. Pois a dor é contínua e cumulativa. E todos dizem que ela vai passar, que você vai se acostumar, mas como se acostumar à uma adaga fincada no coração?

Essa amiga me disse que quando ela achou que ia perder a razão começou um entorpecimento. Foi quando essa dor se incorporou de vez na vida dela. É enão uma dor consolidada na alma, uma marca indelével.  

Tivemos essa conversa vários anos após a morte do marido dela. Ela se casou novamente e tem uma filha que é amiga da minha filha. Mas quando perguntei se ela se refez de toda essa dor, ela me disse que não. Que ela acha que o amor da vida dela morreu. E com ele esse pedaço da sua alma. Que depois ela teve a vida reconstruída, mas nunca mais o amor. Que tem o amor materno (ela é uma mãe maravilhosa) e que vive a vida cotidiana. Mas que, quando está só, no silêncio da noite, olhando a porta do quarto de dormir, ela ainda tem a esperança (remota) de que ele volte. E traga consigo essa parte da alma dela que se foi para sempre. 

pnp26

Orpheus and Euridice by George Frederick Watts RA (1817-1904). Oil on canvas: 56 x 76 cm.

anterior  Vermeer’s Woman Reading a Letter

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Medo – Drummond


O medo

Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo…
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas

do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.


Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes…
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.

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Recebi esse texto por email hoje. Não posso dizer com certeza se é mesmo da autoria de Arnaldo Jabor. Posso dizer que é verdadeiro, apesar de não ser um tema novo. Os Beatles já diziam em “You gonna lose that girl” http://www.youtube.com/watch?v=l7ABWbnuQhk e recentemente o Charlie Brown em “Papo Reto”… http://www.youtube.com/watch?v=-8-EWBOIYiQ . Não sei do que os homens realmente reclamam. As mulheres não são difíceis de entender…

“Você homem da atualidade, vem se surpreendendo diuturnamente com o “nível” intelectual, cultural e, principalmente, “liberal” de sua mulher, namorada etc.
As vezes sequer sabe como agir, e lá no fundinho tem aquele medo de ser traído – ou nos termos usuais – “corneado”. Saiba de uma coisa…
Esse risco é iminente, a probabilidade disso acontecer é muito grande, e só cabe a você, e a ninguém mais evitar que isso aconteça – ou então – assumir seu “chifre” em alto e bom som. Você deve estar perguntando porque eu gastaria meu precioso tempo falando sobre isso. Entretanto, a aflição masculina diante da traição vem me chamando a atenção já há tempos.
Mas o que seria uma “mulher moderna”? A principio seria aquela que se ama acima de tudo, que não perde (e nem tem) tempo com/para futilidades, é aquela que trabalha porque acha que o trabalho engrandece, que é independente sentimentalmente dos outros, que é corajosa, companheira, confidente, amante…
É aquela que as vezes tem uma crise súbita de ciúmes mas que não tem vergonha nenhuma em admitir que está errada e correr pros seus braços… É aquela que consegue ao mesmo tempo ser forte e meiga, arrumada e linda… Enfim, a mulher moderna é aquela que não tem medo de nada nem de ninguém, olha a vida de frente, fala o que pensa e o que sente, doa a quem doer… Assim, após um processo “investigatório” junto a essas “mulheres modernas” pude constatar o pior.
VOCÊ SERÁ (OU É???) “corno”, ao menos que:
– Nunca deixe uma “mulher moderna” insegura. Antigamente elas choravam. Hoje, elas simplesmente traem, sem dó nem piedade.
– Não ache que ela tem poderes “adivinhatórios”. Ela tem de saber da sua boca – o quanto você gosta dela. Qualquer dúvida neste sentido poderá levar às conseqüências expostas acima.
– Não ache que é normal sair com os amigos (seja pra beber, pra jogar futebol…) mais do que duas vezes por semana, três vezes então é assinar atestado de “chifrudo”. As “mulheres modernas” dificilmente andam implicando com isso, entretanto elas são categoricamente “cheias de amor pra dar” e precisam da “presença masculina”. Se não for a sua meu amigo…Bem…
– Quando disser que vai ligar, ligue, senão o risco dela ligar pra aquele ex bom de cama é grandessíssimo.
– Satisfaça-a sexualmente. Mas não finja satisfaze-la. As “mulheres modernas” têm um pique absurdo com relação ao sexo e, principalmente dos 20 aos 38 anos, elas pensam – e querem – fazer sexo TODOS OS DIAS (pasmem, mas é a pura verdade)… Bom, nem precisa dizer que se não for com você…
– Lhe dê atenção. Mas principalmente faça com que ela perceba isso. Garanhões mau (ou bem) intencionados sempre existem, e estes quando querem são peritos em levar uma mulher às nuvens. Então, leve-a você, afinal, ela é sua ou não é????
– Nem pense em provocar “ciuminhos” vãos. Como pude constatar, mulher insegura é uma máquina colocadora de chifres.
– Em hipótese alguma deixe-a desconfiar do fato de você estar saindo
com outra. Essa mera suposição da parte delas dá ensejo ao um “chifre” tão estrondoso que quando você acordar, meu amigo, já existirá alguém MUITO MAIS “comedor” do que você…só que o prato principal, bem…dessa vez é a SUA mulher.
– Sabe aquele bonitão que, você sabe, sairia com a sua mulher a qualquer hora. Bem… de repente a recíproca também pode ser verdadeira.
Basta ela, só por um segundo, achar que você merece…Quando você reparar… já foi.
– Tente estar menos “cansado”. A “mulher moderna” também trabalhou o dia inteiro e, provavelmente, ainda tem fôlego para – como diziam os homens de antigamente – “dar uma”, para depois, virar do lado e simplesmente dormir.
– Volte a fazer coisas do começo da relação. Se quando começaram a sair viviam se cruzando em “baladas”, “se pegando” em lugares inusitados, trocavam e-mails ou telefonemas picantes, a chance dela gostar disso é muito grande, e a de sentir falta disso então é imensa. A “mulher moderna” não pode sentir falta dessas coisas…senão…
Bem amigos, aplica-se, finalmente, o tão famoso jargão “quem não dá assistência, abre concorrência e perde a preferência”. Deste modo, se você está ao lado de uma mulher de quem realmente gosta e tem plena consciência de que, atualmente o mercado não está pra peixe (falemos de qualidade), pense bem antes de dar alguma dessas “mancadas”… proteja-a, ame-a, e, principalmente, faça-a saber disso. Ela vai pensar milhões de vezes antes de dar bola pra aquele `bonitão´ que vive enchendo-a de olhares… e vai continuar, sem dúvidas, olhando só pra você!!!”

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O teatro mágico foi-me apresentado por uma amigo que eu admiro demais. Dessa forma, as músicas deles estão ligadas (pelo menos para mim) indissociadamente à essa pessoa tão querida. Quando sinto muita saudade eu ouço alguma música para atenuar (ou para maltratar o meu coração, ainda não sei bem).

O Teatro Mágico (TM) é um grupo musical, político, brasileiro formado em 2003 na cidade de Osasco, São Paulo. O TM é um projeto que reúne elementos do circo, do teatro, da poesia, da música, da literatura, da política e do cancioneiro popular tornando possível a junção de diferentes segmentos artísticos numa mesma apresentação.

O Teatro Mágico foi criado por Fernando Anitelli, ator, músico e compositor das canções do show. A equipe que o acompanha, foi formada em dezembro de 2003 por amigos e artistas que acreditaram no projeto. Trabalha sem apoio de gravadoras ou campanhas midiáticas, alegando-se independentes. Já participaram de eventos patrocinados pelo poder público, como o Governo Federal e a Prefeitura de São Paulo. teatro-magicoPossui dois álbuns de estúdio: Entrada para Raros e O Segundo Ato.A filosofia da trupe passa por construir sua participação na formação e diretriz do movimento Música Para Baixar (MPB) – comprometido com a defesa do livre compartilhamento de arquivos musicais via internet e flexibilização do direito autoral, que conta com adesão de artistas e músicos preocupados com a questão da censura na web.Inspiradas nas obras de Hermann Hesse, escritor alemão ganhador do Prêmio Nobel de Literatura que apresentou o conceito de teatro mágico (eufemismo para uso de entorpecentes) em seu livro O Lobo da Estepe, a s composições tratam dos personagens que as pessoas precisam assumir nas diversas situações do cotidiano. As canções vão sendo intercaladas pelo traçado tecnológico de ruídos telefônicos, sinais de rádio e mensagens de voz. Os integrantes da trupe se apresentam maquiados e vestidos de palhaço, que trazem a idéia do “personagem interno” escondido em cada um de nós.Apesar de envolver várias expressões artísticas, a linguagem musical e cênica é popular e acessível para todo tipo de público, independente de idade e classe social.Embalando todas as canções, destacam-se: violões, violino, guitarra, baixo, percussão, flauta, DJs, gaita, xilofone, bateria, bandolim e sonoplastia. São 10 músicos e 3 artistas circenses, e algumas participações esporádicas como a da percussionista Simone Soul (Funk Como Le Gusta) e de alguns músicos do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, que também participaram da gravação do CD. O anjo mais velho”O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente”
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh’alma d’aquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto… depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

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