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Archive for junho \30\UTC 2010

Fairyopolis

Minha filha ganhou do padrinho dela (que recentemente tornou-se pai de uma linda menininha) um livro maravilhoso. Toda vez que viaja para São Paulo ele vai à Livraria Cultura, e sempre traz um presente para essa afilhada aficcionada por livros.

Dessa vez ele trouxe Fairyopolis. E, quando ela abriu o livro ele ficou meio chateado por não ter percebido que o livro estava todo escrito em inglês. Ele havia comprado um livro importado sem perceber.

O livro é lindíssimo! As ilustrações são ricas e delicadas. E por algum tempo nós só nos deleitamos olhando as figuras.

Coloquei por fim os meus óculos de leitura, pois o livro, na verdade é um diário escrito pela autora – Cicely Mary Barker – no verão de 1920, e, dessa forma, está todo esThe_Poppy_Fairy-Cicely_Mary_Barkercrito em “letra cursiva” como diz a minha estudante aqui… 

O livro começa com uma carta da autora remetendo esse diário à Sociedade do Folclore das Fadas Britânicas, pedindo à eles que o guardem e conservem. Contém o carimbo de recebimento da referida sociedade em 8 de junho de 1923 (a carta foi postada em 6 de janeiro de 1923!). Segundo Frederick Warne & Co. o texto e as gravuras são originais.

A primeira página do livro contém a inscrição:

This jornal belongs to:

Cicely Mary Barker

E há uma foto da autora com um clip em cujo verso se lê o crédito para Storrington Photographic Studios e a inscrição C.M.B at Bartons., além da fada da flor de Lavanda desenhada pela autora.Lavender Fairy by Cicely Mary Barker

O texto do livro é intimista e delicioso. Eu leio as frases em inglês e depois as traduzo para a minha pequena que está tão encantada quanto eu. Encantam-nos tanto as pequenas descobertas da autora quanto com as ilustrações maravilhosas. O livro traz preciosidades como o cartão da biblioteca de Storrington assinado pela autora e os livros sobre fadas, os quais ela indica a leitura em um bilhetinho com uma flecha. Lemos até as regras da biblioteca que estão no cartão… l Em 11 de maio a autora pensa ter ouvido um som maravilhoso que pára abruptamente quando ela procura pelo local de onde vem. Ela acha que veio de um canto do jardim onde estão os lírios brancos e se inspira a desenhar essa fada dos lírios. Compõe para ela a canção da fada do lírio do vale que é:

The Song of The Lily-Of-The-Valley Fairy

Gentle fairies, hush your singing:
Can you hear my white bells ringing,
Ringing as from far away?
Who can tell me what they say?

Little snowy bells out-springing
From the stem and softly ringing –
Tell they of a country where
Everything is good and fair?

Lovely, lovely things for L!
Lilac, Lavender as well;
And, more sweet than rhyming tells,
Lily-of-the-Valley bells.

Minha filhinha dorme quando eu lia o pequeno guia de campo das fadas, elaborado pela autora para que não se confundam as fadas com os elfos, os pixies, os gnomos ou os leprechaus. Eu estava lendo justamente a definição de leprechaus quando a vi adormecida. Parei a leitura, embora estivesse gostando muito, pois me parece injusto ler sozinha. Nós duas merecemos explorar juntas esse mundo encantado. g

Fairyopolis

Fairyopolis published by Penguin Group – Copyright Frederick Warne Co.

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O beijo

“Mas fui eu a única pessoa de casa para quem a vinda de Swann se torno objeto de dolorosa preocupação. Era que nas noites em que havia estranhos, ou apenas o Sr. Swann, mamãe não subia a meu quarto. Eu não comia à mesa, naquele tempo; depois de jantar ia para o jardim, e às nove horas dava boa noite e ia deitar-me. Quando tínhamos visitas, jantava antes de todos e ia em seguida sentar-me à mesa, até às oito, hora em que estava convencionado que deveria deitar-me; aquele beijo, precioso e frágil, que mamãe de costume me confiava em meu leito antes de eu adormecer, era-me preciso transportá-lo da sala de jantar e guardá-lo durante todo o tempo em que me despia, sem que se quebrasse a sua douçura, sem que sua virtude volátil se expandisse e evaporasse e, justamente naquelas noites em que necessitaria recebê-lo com maior precaução, via-me obrigado a apanhá-lo, a roubá-lo bruscamente, publicamente, sem ter ao menos o necessário tempo e liberdade de espírito para dedicar ao que fazia essa atenção dos maníacos que se esforçam por não pensar em outra coisa enquanto fecham uma porta, a fim de poderem, quando lhes sobrevém a mórbida incerteza, opor-lhe vitoriosamente a recordação do momento em que a fecharam.” (Marcel proust op. cit.)

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Vantagens

“… E tendo as irmãs de minha avó manifestado a intenção de falar a Swann desse informe do Figaro, minha tia procurou dissuadí-las. Cada vez que descobria nos outros uma vantagem, por mínima que fosse, mas que ela própria não possuía, persuadia-se de que não se tratava de uma vantagem, e sim de um mal e, para não ter de os invejar, lamentava-os.” (Marcel Proust – No caminho de Swann – Combray – p. 27)6-marcel-proust

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Everybody´s changing
Keane
 
 
You say you wander your own land
But when I think about it I don’t see how you can
You’re aching, you’re breaking
And I can see the pain in your eyes
Says everybody’s changing and I don’t know why

So little time
Try to understand that I’m
Trying to make a move just to stay in the game
I’m trying to stay awake and remember my name
But everybody’s changing and I don’t feel the same

You’re gone from here
Soon you will dissapear
Fading into beautiful light
Cos everybody’s changing and I don’t feel right

So little time
Try to understand that I’m
Trying to make a move just to stay in the game
I’m trying to stay awake and remember my name
But everybody’s changing and I don’t feel the same

(Instrumental Break)

So little time
Try to understand that I’m
Trying to make a move just to stay in the game
I’m trying to stay awake and remember my name
But everybody’s changing and I don’t feel the same
Oh, everybody’s changing and I don’t feel the same

 
Everybody’s Changing
(Todo Mundo Está Mudando)

Você diz que perambula em sua própria terra
Mas quando eu penso nisso
Eu não vejo como você consegue
Você está sofrendo, você está parando
E eu posso ver a dor em seus olhos
Diz que todo mundo está mudando e eu não sei por quê

Tão pouco tempo
Tente entender que eu estou
Tentando fazer um movimento só para continuar no jogo
Eu tento ficar acordado e lembrar meu nome
Mas todo mundo está mudando e eu não sinto o mesmo

Você se foi daqui, logo você irá desaparecer
Sumindo em uma luz bonita
Porque todo mundo está mudando e eu não me sinto bem

Tão pouco tempo
Tente entender que eu estou
Tentando fazer um movimento só para continuar no jogo
Eu tento ficar acordado e lembrar meu nome
Mas todo mundo está mudando e eu não sinto o mesmo

Tão pouco tempo
Tente entender que eu estou
Tentando fazer um movimento só para continuar no jogo
Eu tento ficar acordado e lembrar meu nome
Mas todo mundo está mudando e eu não sinto o mesmo
Oh, todo mundo está mudando e eu não sinto o mesmo

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"Mas na idade já um pouco desenganada de que se aproximava Swann e em que a gente sabe estar enamorado pelo simples prazer de o estar, sem muito exigir em troca, essa união de corações, se já não é, como na primeira  juventude, o fim a que tende necessariamente o amor, lhe fica ligada por tão forte associação de idéias que pode tornar-se a sua causa, quando se apresenta antes dele. Antes, sonhava-se possuir o coração da mulher amada; mais tarde, sentir que se possui o coração de uma mulher pode bastar para que nos enamoremos dela. E como antes de tudo se procura no amor um prazer subjetivo, asim, nessa idade em que seria de esperar que o gosto pela beleza feminina constituísse a maior parte desse sentimento, pode nascer o amor – o amor mais físico – sem que tenha havido em sua base um desejo prévio. Nessa época da vida já se foi atingido várias vezes pelo amor e este já não evolui por si mesmo segundo as suas próprias leis desconhecidas e fatais, ante o nosso coração atônito e passivo. Corremos em seu auxílio e o enganamos com a memória e com a sugestão. Ao reconhecer um dos seus sintomas, relembramos e ressuscitamos os outros. Como temos a sua eterna canção inteiramente gravada dentro de nós, não há necessidade que uma mulher nos diga o princípio – cheio da admiração que inspira a beleza – para acharmos em seguida a continuação. E se ela começa pelo meio – no ponto em que os corações se aproximam e se fala em viver unicamente um para o outro – já estamos bastante habituados a essa música para que logo alcancemos a nossa partenaire, no trechoem que ela nos espera."  (Marcel Proust – tradução de Mário Quintana)

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Ternura

Ternura

Vinicius de Moraes


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma…
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
                                                                     [ extático da aurora.


Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes – Poesia completa e   prosa", Editora Nova Aguilar – Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.

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The long and winding road
That leads to your door
Will never disappear
I’ve seen that road before
It always leads me here
Lead me to your door.

The wild and windy night
That the rain washed away
Has left a pool of tears
Crying for the day.
Why leave me standing here?
Let me know the way.

Many times I’ve been alone
And many times I’ve cried,
Anyway you’ve always known
The many ways I’ve tried.

And still they lead me back
To the long, winding road
You left me standing here
A long, long time ago
Don’t leave me standing here
Lead me to your door.

But still they lead me back
To the long winding road
You left me standing here
A long, long time ago (ohhh)
Don’t keep me waiting here (don’t keep me waiting)
Lead me to your door.
(yeah yeah yeah yeah)

(“The Long and Winding Road”. Interpreters: The Beatles. Composers: John Lennon; Paul McCartney)

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