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Archive for dezembro \30\UTC 2010

No fundo da alma está um quadro: é uma cena de felicidade. O amor acontece quando, repentinamente, ao ver um rosto, temos a convicção de estar encontrando o rosto que está na cena de felicidade da alma: “Quando te vi amei-te já muito antes,/Tornei a achar-te quando te encontrei./ Nasci para ti antes de haver o mundo.” (Fernando Pessoa).  Amamos uma pessoa porque a sua imagem se insere na cena de felicidade que havia na memória “antes de haver o mundo”… A paixão acontece quando o rosto real à minha frente coincide, na minha fantasia, com a imagem perdida que busco para completar a cena.”

(Alves, Rubem – Do universo à jabuticaba, Ed. Planeta – 2010, p. 37)

(La Promenade, Pierre-Auguste Renoir, 1870)

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Adoro a literatura inglesa. Sempre gostei. E Jane Austen, dentre os autores ingleses é uma das minhas favoritas. Uma das situações que sempre me revoltou é que a referida autora escreveu exíguos 5 títulos em torno de 1800. E, até a presente data  só estavam disponíveis em Português do Brasil 2 títulos. Eu pensava: É, só se passaram duzentos anos, não deu tempo de traduzir uma das mais famosas escritoras inglesas para o português…

Bom, agora, na época de Natal, eu fui comprar presentes numa livraria. Quando me deparei com uma edição de Persuasão traduzida para o Português! Eu já havia comprado o original em inglês, mas comprei essa edição (que na verdade engloba  títulos da autora: Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e Persuasão). Claro que comprei outros presentinhos de Natal para mim, como o último livro do Rubem Alves (do universo à jabuticaba) e outro do Saramago (Palavras de Saramago). Enfim, minhas férias serão da melhor qualidade…

Passo a compartilhar um pouco de Persuasão:

A sra. Croft saiu e o capitão Wentworth, tendo selado a carta com grande rapidez, já estava pronto, e tinha até um ar apressado, agitado, que demonstrava impaciência em sair dali. Anne não sabia como interpretar aquilo. Recebeu um gentilíssimo ” Bom dia, Deus abençoe você!” do capitão Harville, mas dele nem uma palavra, nem um olhar! Ele saiu da sala sem sequer olhar pra ela!

Ela só teve tempo, no entanto, para chegar mais perto da mesa onde ele estivera escrevendo, quando foram ouvidos passos de alguém que retornava; abriu-se a porta, era ele. Pediu perdão, mas esquecera as luvas e, cruzando imediatamente a sala na direção da escrivaninha e voltando as costas para a sra. Musgrove, tirou uma carta de sob  os papéis esparramados, e a pôs diante de Anne, fitando nela por algum tempo os olhos brilhantes e suplicantes; pegando, então, apressadamente as luvas, já estava fora da sala quase que antes da sra. Musgrove perceber que estivera dentro dela: tudo num instante!

A revolução que aquele instante produziu em Anne era quase indizível. A carta, com um sobrescrito quase ilegível, para a “srta. E…”, era obviamente aquela que ele dobrara com tanta pressa. Enquanto aparentemente escrevia só para o capitão Benwick, também escrevera para ela! Do conteúdo daquela carta dependia tudo o que este mundo poderia oferecer-lhe. Tudo era possível, podia ser enfrentado, menos aquela incerteza. A sra. Musgrove tinha algumas coisas a arrumar em sua própria mesinha; ela teve de contar com a proteção delas e, afundando na cadeira que ele havia ocupado, tomando aquele mesmo lugar em que ele se debruçara e escrevera, os olhos dela devoraram as seguintes palavras:

Não consigo mais ouvir em silêncio. Tenho de falar com você com os meios ao meu alcance. Você trespassa a minha alma. Sou agonia e esperança. Não me diga que é tarde demais, que tais preciosos sentimentos se foram para sempre. Eu volto a me oferecer a você, com um coração ainda mais seu do que quando você quase o partiu, oito anos e meio atrás. Não ouse dizer que os homens se esquecem mais rápido do que as mulheres, que o amor deles morre mais cedo. Só a você tenho amado. Posso ter sido injusto, fui fraco e ressentido, mas nunca inconstante. Só por você vim a Bath. Só por você penso e faço planos. Será que não viu? Será que você não conseguiu entender meus desejos? Não teria esperado nem esses dez dias, se tivesse podido ler os seus sentimentos, como acho que você entendeu os meus. Mal consigo escrever. Estou a cada instante ouvindo coisas que me esmagam. Você abaixa a voz, mas posso distinguir tons nessa voz que aos outros passariam despercebidos. Criatura excessivamente boa, excessivamente excelente! Você nos faz justiça, sem dúvida. Acredita que o verdadeiro afeto e constância existam entre os homens. Creia que tal afeto é mais que fervoroso e mais do que constante em

F.W.

Tenho de ir, incerto de meu futuro; mas vou voltar para cá ou acompanhar o seu grupo, assim que possível. Uma palavra, um olhar serão o bastante para decidir se entrarei na casa de seu pai esta noite ou nunca mais.”

Woman in Blue Reading a Letter – Johannes Vermeer – Rijksmuseum, Amsterdam- 1662/1663)

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“Saberemos viver uma vida melhor que esta, quando mesmo chorando é tão bom estarmos juntos? Depois da morte eu quero o que o seu vácuo abrupto fixou na minha alma. Quando eu ressuscitar, o que eu quero é a vida repetida sem o perigo da morte, os riscos todos, a garantia: à noite estaremos juntos…”  in Alves, Rubem – Do universo à jabuticaba – São Paulo, Editora Planeta, 2010)

 

(A vendedora de flores de Diego Rivera)

 

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Nostalgia

Os livros que leio começam a fazer parte da minha vida de forma indissociável quando me apaixono por eles. Considero-os como amigos. E por vezes gosto de visitar velhos amigos em busca de conforto, nostalgia ou simplesmente de matar as saudades mesmo. O que gosto desses companheiros-livros é que não importa quantas vezes eu os releia, sempre me voltam as sensações e as lembranças de quando os li pela primeira vez. É como se o tempo parasse dentro daquelas páginas, ficasse ali congelado e aquele meu momento histórico passasse a fazer parte da história do livro. A minha história e a do livro passam a ser uma e formam um conjunto da obra original e único que só se passa na minha cabeça.

Na minha memória voltam-me os cheiros, os sons e as sensações que povoavam o meu dia-a-dia junto com aquela leitura.

Tenho esse livro especialíssimo que li há pouco mais de um ano. Chama-se Trem noturno para Lisboa. Tenho ciúmes do meu exemplar. Ele é todo grifado (a lápis, não sei porque considero uma heresia grifar livros a caneta) e tem alguns pequenos comentários meus sobre algumas passagens.  O meu exemplar me é precioso e insubstituível por esse motivo.

Uma parte desse livro (grifada, claro!) diz assim: ” Quando deixamos determinado lugar, deixamos para trás um pedaço de nós – permanecemos lá, apesar de partirmos. E há coisas em nós que só  podemos recuperar se voltarmos para lá. Viajamos até perto de nós, para dentro de nós mesmos, quando um ruído monótono das rodas nos transporta em direção a um lugar onde passamos uma parte de nossa vida, por mais breve que tenha sido. Assim que colocamos, pela segunda vez, o pé numa estação estranha, escutando as vozes nos alto-falantes, sentindo os cheiros inconfundíveis, não apenas chegamos ao lugar distante, mas também na  distância do próprio interior, num ângulo talvez bem remoto do nosso eu que, quando estamos em outro lugar, permanece oculto e completamente entregue à invisibilidade.” (Trem noturno para Lisboa – Pascal Mecier; tradução de Kristina Michahelles – Rio de Janeiro: Record, 2009, p.252/253)

Uma personagem de O trem noturno para Lisboa tocava As Variações Goldberg de Bach. O fato dela tocar essas peças em específico faz toda a diferença e marca profundamente a estória da vida de várias personagens. Assim, quando quero voltar à esse tempo e lugar que só existem dentro de mim pego o livro e ouço as Variações compostas por Bach.

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As mulheres têm de botá-los para fora
IVAN MARTINS
  Reprodução

IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA

Ontem eu vi Comer, Rezar, Amar. Imagino que muitos de vocês já tenham visto. Bonito filme. Me fez pensar sobre um monte de coisas, algumas boas e outras más. Entre as más, está um fato bem conhecido pelas mulheres, sobre o qual eu gostaria de escrever hoje: a incapacidade dos homens de ir embora.

É impressionante. Na biografia de Elizabeth Gilbert, autora do livro que deu origem ao filme, há dois casamentos, com homens totalmente diferentes, que terminam exatamente do mesmo jeito: em farrapos, sem sexo e sem amor, mas com um sujeito que se recusa a admitir a realidade. É ela quem tem de arrumar as malas e ir embora.

Isso não me causa a menor estranheza. Boa parte dos casamentos que eu conheci terminaram assim. As mulheres dão fim a eles. Os homens empurram com a barriga, se adaptam a níveis crescentes de desconforto, vão ficando. Por anos. Sofrem o apodrecimento diário da intimidade, a privação física e afetiva do amor que acabou, mas não rompem. Isso vale para maridos, namorados e até amantes. Todos esperam que as mulheres ponham fim às relações, saindo da vida deles ou pondo eles para fora da vida delas. São acomodados, pusilânimes.

Por que esse comportamento? Eu não sei. Num pedaço bonito do filme, ao escrever um email para o ex-marido, Gilbert sugere que ele teria medo de “ser destruído” pela separação. A linguagem parece exagerada, mas faz sentido. Por que alguém viveria numa pocilga emocional por tanto tempo se não estivesse inteiramente apavorado com a ideia de ficar só?

A solidão, para algumas pessoas, em algumas situações, pode ser pior que sofrimento. Ela equivale a um estado de não existência, uma espécie de aniquilação. O sujeito não consegue se imaginar fora do casal. Por isso se agarra a ele de forma obstinada e insensata.

Mas esta é apenas a explicação de Gilbert. Não é necessariamente correta e talvez não sirva para todos os casos.

Da minha parte, acho que nós, homens, somos terrivelmente infantis. O casamento, para muitos de nós, equivale a uma espécie pervertida de adoção. Nossa mulher se torna a nossa mãe. Ela cuida do nosso bem estar material, nos dá conforto afetivo, estabelece limites ao nosso comportamento (que nós, secretamente, transgredimos) e, claro, nos dá carinho físico na forma de sexo.

Quando o sentimento erótico e amoroso acaba, continuamos presos pelo resto, dependentes como crianças de tudo que a mulher-mãe representa na nossa vida. Que criança consegue voluntariamente se separar da mãe? É a mãe que tem de fazer uso da sua autoridade e decretar, para além de qualquer sombra de dívida, que a relação acabou. Aí o homem-menino começa a se mexer e procurar outra parceira.

Isso parece um clichê ensebado? Parece, mas acho que explica aspectos importantes da realidade. Antes e depois da separação. Outro dia, eu almoçava com uma amiga e ela me falou sobre o comportamento de um ex-namorado, ciumentíssimo, que exigia a presença dela a todo o momento – e reagia com fúria se ela manifestasse o desejo de ficar longe dele. O que isso sugere senão uma criança tirânica, assustada com a ausência da mãe?

Para evitar esse tipo de relação – e o tipo de separação da história de Gilbert – é melhor escolher um homem independente, que não precise ser cuidado, tutelado ou aplacado como um bebê. Nem fique fazendo estripulias para chamar sua atenção.

Quando o instinto maternal sugerir que você deveria “tomar conta” daquele marmanjão de vida bagunçada, dê um passo para trás. Lembre de Comer , Rezar, Amar. Lembre que o momento em que você se torna a mãe dele é o mesmo momento em o desejo dele e o seu começam (paradoxalmente) a acabar. Ninguém quer isso para si mesmo, não é?

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)

 

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI195965-15230,00.html

 

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Viva la Vida” é uma canção da banda inglesa de rock alternativo Coldplay. Foi escrita por todos os membros da banda para seu quarto álbum, Viva la Vida or Death and All His Friends (2008). No álbum, a letra da canção segue diretamente para a próxima faixa do álbum, “Violet Hill“. Viva la Vida significa “Long live life” em espanhol.

A letra da canção contém referências históricas e religiosas, e a faixa é construída em torno de uma seção de cordas se repetindo com um fundo de percussão.

A canção foi lançada em 12 de junho de 2008 como o segundo single do álbum, estreando para o sucesso crítico e comercial. “Viva la Vida” atingiu o topo da UK Singles Chart e da Billboard Hot 100, tornando-se o primeiro single da banda a atingir o primeiro lugar no Reino Unido e nos Estados Unidos. A canção venceu o prêmio de Canção do Ano no 51º Grammy Awards em 2009. Se tornou a sexta canção com mais downloads digitais pagos, atingindo a marca de 4 milhões.

Cquote1.svg “Viva la Vida” é construída com um grandioso arranjo instrumental e letras arrebatadoras detalhando a dor de ser destituído de uma posição elevada. O grandioso som da canção poderia se tornar exagerado, mas o Coldplay sabe como andar na corda bamba perfeitamente. Sinos e corrilhões e uma orquestra aparecem juntos no refrão, mas a voz de Chris Martin ainda penetra, como um toque de clarim. Na letra, existe a dor do protagonista, é claro, mas a varredura de palavras sobre os sinos de Jerusalém, a cavalaria romana e São Pedro dá à “Viva la Vida” um ar de inteligência rara nos dias de hoje em canções popsmais populares. Cquote2.svg 

— Bill Lamb,About.com.

A letra de “Viva la Vida” contêm muitas referências religiosas. Por exemplo, “pillars of sand” é uma clara referência à parábola bíblica dada por Jesus sobre o tolo que construiu sua casa sobre uma areia, e o homem sábio que construiu sobre uma rocha sólida. “I know Saint Peter won’t call my name” refere-se a Mateus 16:19, onde Jesus diz a Pedro que ele vai lhe dar as chaves para o Reino do Céu, e a crença de que o apóstolo está nas Portas do Céu, permitir ou negar a admissão. Outros prováveis referências bíblicas são “Seas would rise when I gave the word” (Moisés abrindo o Mar Vermelho), e “… my head upon a silver plate” (decaptação de St. John: Salomé pediu para ter sua cabeça entregue a ele em cima de um prato).

A canção inspirou um grande debate sobre o seu significado. As pessoas têm reclamado que a canção pode ser sobre vários significados, tais como a Revolução Francêsa.  Os membros da banda em si não parecem se apegar a qualquer uma dessas alegações, e dizem que se refere apenas aos reis e revolucionários em geral, mais do que qualquer rei particular.

Martin explicou a parte da letra da canção “I know Saint Peter won’t call my name”, em uma entrevista à revista Q: “É sobre… você não estar na lista. Eu era um menino travesso. E sempre me fascinou a ideia de terminar a sua vida e, em seguida, que está sendo analisado no mesmo. E essa ideia funciona durante todo a maioria das religiões […]”Quando perguntado sobre a canção, o baixista Guy Berryman disse: “É uma história sobre um rei que perdeu seu reino, onde a obra do álbum é baseada na idéia de revolucionários e guerrilheiros […]”

Ao contrário do arranjo típico das canções do Coldplay, em que tanto o piano quanto as guitarras são os instrumentos de destaque, a maior parte da faixa é constituída por uma seção de cordas tocando riffs, em conjunto com um constante tambor, percussão (incluindo um tímpano e um sino de igreja), baixo, e os vocais de Martin; e também um uso limitado de guitarras elétricas. Todas as seqüências são organizadas e executadas pelo violinista Davide Rossi, que também é um dos principais colaboradores do álbum. As seqüências de Rossi, compõem a principal força da canção, com um laço forte que suporta a voz de Martin, até o refrão, onde o poder da orquestra sinfônica domina a música. A música é tocada em um tom de Ab Major, em um tempo de 137bpm, enquanto o alcance vocal é Eb4-Ab5. Embora Coldplay seja amplamente rotulados como uma banda de “rock alternativo” a composição clássica e o objeto histórico de “Viva la Vida” fez com que rotulassem a música como “pop barroco

A canção tem seu título em espanhol, “Viva la Vida”, e foi retirado de uma pintura da artista mexicana Frida Kahlo. Segundo o vocalista Chris Martin, o título foi escolhido devido ao otimismo de Frida, mesmo com os percalços percorridos pela artista, ao exaltar a vida no referido quadro.

(Frida Kahlo. Viva la vida. 1954. Oil on masonite. 59 x 50.7 cm. Frida Kahlo Museum, Mexico City, Mexico.)

I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sleep alone
Sweep the streets that I used to own

I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy’s eyes
Listen as the crowd would sing:
“Now the old king is dead!
Long live the king!”

One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt and pillars of sand

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can’t explain
Once you go there was never, never an honest word
That was when I ruled the world
(Ohhh)

It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in
Shattered windows and the sound of drums
People couldn’t believe what I’d become

Revolutionaries wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?

I hear Jerusalem bells a ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can’t explain
I know Saint Peter won´t call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world
(Ohhhhh Ohhh Ohhh)

I hear Jerusalem bells a ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can’t explain
I know Saint Peter won´t call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world
Oooooh Oooooh Oooooh

 

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