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Archive for janeiro \29\UTC 2011

Estamos todos bem

Estamos todos bem é o remake americano de um excelente filme italiano dirigido por Giuseppe Tornatore e com a atuação ímpar de Marcelo Mastroiani. O remake tem como protagonista Robert de Niro. Salva-se a trilha sonora de Dario Marianelli, que realmente chega a tocar a alma do expectador. O resto do filme é  a materialização do american way de fazer filmes. Desastroso.  Ainda mais pra quem viu a obra original.

O filme original é recheado de pequenas sutilezas que o remake despreza. As belas sequências da câmera explorando os espaços abertos da Sicília e a partida do trem não se repetem nesse novo filme. E, apesar do grande talento de Robert de Niro, ele não convence como um homem frágil de terceira idade, nem é da cultura americana a reunião familiar buscada pelo personagem. Enfim, quem viu o Mastroianni dirigido pelo grande Tornatore (com a trilha de Morricone) não consegue gostar desse filme. Recomendo o original.

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Estamos todos bem
Elenco: Marcello Mastroianni, Michèle Morgan, Valeria Cavalli, Marino Cenna, Norma Martelli, Roberto Nobile, Salvatore Cascio
Diretor: Giuseppe Tornatore
Roteiro: Giuseppe Tornatore, Massimo De Rita e Tonino Guerra
Fotografia: Blasco Giurato
Duração: 118 min.
Ano: 1990
País: Itália, França e Estados Unidos
Cotação: Regular

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A Rosa

 

Essa foi uma semana especialmente musical. minha pequena de oito anos começou a tocar Beethoven – Für Elise. Meu coração de mãe ficou transbordante de emoção. É bem verdade que fiquei estudando com ela – e confessando a verdade, precisei estudar teoria musical, pois ao contrário dela eu não tive o privilégio de estudar música quando criança. Nos divertimos muito, pois quando eu dizia que a nota tocada estava errada ela teimava comigo e dizia: “Como você sabe se não consegue ler a partitura?” E eu respondia:”É que eu conheço a música…”  Mas precisei entrar num site de teoria e aprender a posição de cada nota para poder ajudá-la no estudo. E estamos progredindo, eu e ela.

Na quarta-feira fomos eu, ela e a professora de música dela – e porque não dizer, nossa amiga – a uma noite dedicada ao Choro. A noite no Teatro Guaíra começou com Pixinguinha e a sua bela valsa Rosa. Essa é uma música tão fantástica que chega ser difícil acreditar que Francisco Alves e Carlos Galhardo deixaram de lançar “Rosa” porque  Carinhoso havia sido rejeitado destinado ao lado “A” do mesmo disco.  Esta belíssima valsa sobrou, então,  para Orlando Silva, que lhe deu interpretação magistral. Segundo Pixinguinha, “Rosa” é de 1917 e chamou-se originalmente “Evocação”, só recebendo letra muito mais tarde. “O autor dessa letra” – esclarece ainda Pixinguinha – “é Otávio de Souza, um mecânico do Engenho de Dentro-bairro carioca – muito inteligente e que morreu muito novo”.

Orlando Silva abandona esta música após a morte de sua mãe, dona Balbina, em 1968. Era sua canção favorita, e o sensível Orlando jamais conseguiu voltar a cantá-la sem chorar. “Rosa” é uma linda valsa “de breque”, mas de difícil interpretação vocal, especialmente para o uso de legatos, já que as pausas naturais são preenchidas por segmentos que restringem os espaços para o cantor tomar fôlego.

Quanto à letra, é também um exemplo do estilo poético rebuscado em moda na época: “Tu és divina e graciosa, estátua majestosa / do amor, por Deus esculturada e formada com o ardor / da alma da mais linda flor, de mais ativo olor / que na vida é preferida pelo beija-flor… ‘. O desafio de regravar “Rosa” foi tentado por alguns intérpretes, sendo talvez o melhor resultado 0 obtido por Marisa Monte; em 1990, com pequenas alterações melódicas.
Rosa (valsa, 1917) – Pixinguinha

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer

Ao longo da noite ouvimos ainda Odeon, Apanhei-te cavaquinho, Tico-tico no fubá, Brasileirinho e outros clássicos do gênero. Ouvimos composições dos maravilhosos músicos presentes que improvisavam em 12 músicos! Foi mais que um show, foi uma demonstração do grande talento e do prazer dos músicos em executarem boa música. E levar compartilhar tais momentos com a minha filha torna tudo isso ainda mais especial.

 

 

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Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.” (Texto de Clarice Lispector publicado no Jornal do Brasil, 12/dez/1970; também publicado no livro “A Descoberta do Mundo” que é  a seleção das crônicas publicadas originalmente na coluna semanal que Clarice Lispector escrevia aos sábados, no Caderno B, do Jornal do Brasil)

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O que a Pilar [del Río] é para mim é difícil dizer-te. Secretária não é, ajuda-me no que eu preciso e ela pode, mas isso não a torna minha secretária. Nem eu queria que a minha mulher fosse a minha secretária. Eu diria que vivi tudo o que vivi para poder chegar até ela. A Pilar deu-me aquilo que eu já não esperava vir a ter. Eu conheci-a  em 1986 e já vamos a caminho de sete anos de autêntica felicidade. Eu olho para o que vivi antes e vejo tudo isso como se tivesse sido uma longa preparação para chegar a ela. Portanto dizer-teque é a mulher, a amante, a companheira, a amiga, tudo isso são apenas tentativas de dizer o que é e nada mais. A nossa relação é outra coisa, não cabe muito nessas categorias.”  (Baptista-Bastos, José Saramago: Aproximação a um retrato, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1996) in Palavras de Saramago, p. 40

Falar de Pilar [del Río] é ao mesmo tempo fácil e difícil. Ela nasceu em 1950 e eu em 1922. Tenho uma sensação esquisita quando penso que houve um tempo em que eu já estava por aqui e ela não. É estranho para mim entender que foi preciso passar 28 anos desde o meu nascimento para que chegasse a pessoa que seria imprescindível em minha vida… Ela é, os que a conhecem sabem, uma mulher extraordinária, além de muito bonita. Ela nasceu para servir aos outros são todo o mundo, a mãe, os catorze irmãos, as amigas, os amigos… Ela está sempre disponível. Ela nunca diz não a um apelo e dá toda a atenção à pessoa com quem está falando, que nesses momentos é a mais importante do mundo. Bom… Quando a conheci, eu tinha 63 anos, era um homem já velho. Ela tinha 36 anos. Os amigos me diziam: ” Isso é uma loucura,um disparate! Com essa diferença de idade…!” E eu sabia, mas não me incomodava. Agora não posso mais imaginar a minha vida sem ela, não posso conceber nada se Pilar não existisse… Quando ela não está, a casa se apaga. E quando volta, se reativa.” (“En el corazón de Saramago”, Elle, Madri, n. 246, março de 2007 [entrevista a Gema Veiga] op. cit. p. 56

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Ontem à noite fui a um dos recitais de música erudita e antiga da 29ª Oficina de Música de Curitiba. O que posso dizer, sinceramente, é que a vida vale a pena ser vivida para momentos como aquele.

Vou começar do início. O recital teve lugar na capela Santa Maria, no centro de Curitiba. Para quem não sabe, era a capela do Colégio Santa Maria (tradicional colégio de Curitiba que funciona atualmente em outras instalações) que estava em péssimas condições e foi totalmente restaurada para ser a “casa” da Camerata Antiqua de Curitiba. Depois de uma bela restauração, o local virou um teatro lindo, com 278 lugares. A capela é uma construção em estilo neoclássico datada de 1939, e estava em total abandono há vários anos, vulnerável à chuva intempéries.  Sua restauração se deu há aproximadamente 10 anos. O lugar está belíssimo.  Quem quiser acompanhar as novidades e programações da Capela o endereço segue o link  http://capelasantamaria.blogspot.com/

O programa de ontem contou com um pouco de tudo, e posso dizer que me levou das lágrimas ao riso. A primeira peça de Liszt, executada por Olga Kiun foi espetacular. Ela estava numa sintonia tão perfeita com o belo piano de cauda negro que parecia estar numa espécie de transe. Esse estudo Chasse-Neige é genial e dificílimo de ser executado e eu (na minha opinião de leiga) achei que ela executou com maestria.  Chasse-Neige quer dizer vento impetuoso que carrega uma torrente de neve ou simplesmente tempestade de neve.  O que ocorreu ontem foi que começou uma chuva muito forte logo que começou o espetáculo. O barulho da chuva emoldurava os silêncios que entremeavam a música, tornando-a, pelo menos para mim, algo que ficava num limiar entre o sonho e a realidade.

Seguiu-se outra peça de solo de piano de Sergei Prokofiev. É um balé, Romeo e Julieta. O movimento  jovem Julieta me levou às lágrimas.

O melhor do recital foi guardado para o fim. O contrabaixista americano Jeff Bradetich deu um show a parte com seu carisma e bom humor (além, é claro do seu grande talento – ninguém é proclamado o “mestre de seu instrumento” pelo New York Times à toa) http://www.bradetichfoundation.org/biography.php Ele tocou um contrabaixo que foi construído há dois anos, todavia com uma madeira de mais de cem anos.

Ele tocou um dueto com Olga Kiun, Nine Variants on Paganini.  Lindíssimo. Mas a peça que mais me chamou a atenção foi BB Wolf de John Deak. Era um solo com uma narrativa cômica sobre um grande lobo que se lamentava de sua má fama de mau. E nos conta, com a ajuda da música do contrabaixo a sua versão da história dos 3 porquinhos. Veja a letra:

Maligned

Misunderstood

Hunted down

Like a criminal

I don´t hate litlle pigs, I admit it

But I reject the onus with witch society attempts to burden me

When I see a pig I have to Chase it

It´s in my nature

It has to be

The pig, however, shares this same compulsion

When he sees me, he has to flee

We allow each otherto express his essence

It´s symbiotic

It´s me and thee

Our social intercourse is predetermined

We run together: ME CHASE, HIM FLEE

Consider for a moment: Why a wolf will pull your sled,

A wolf will help control rabbit population

Awolf will suckle your founding father of a mjor city – Romulus and Remus, for example

After all, what is “man´s best friend”?

A domesticated wolf.

This noble animal, wild, free, roaming the frontier, representing the best of America!!

Why, I am so hated, and even hunted from airplanes

Nobody loves a wolf. Lemm tellya. Ain´t nobody loves a wolf, an´thass th´ truth

People shotting´at us with big guns out there baby

Nobody loves a wolf, I mean, we´re talking persecution

Like, even the word is an insult.

You take some 1940 cat in zoo suit, cigarette drooping outta his mouth, hat pulled down over his eyes – you know the one I mean – “hey baby, watcha doin´tonight?”

“You wolf!!”

See what I mean?

The wolf´s true nature is that of a poet

In darkness we gather at the altar of Diana;

We sing sonnets to the moon.

This is our gift.

O grand finale foi com Giovanni Botesinni, outro duo de piano com contrabaixo, Elegy e Allegretto.

Saí de lá com a certeza que a beleza realmente eleva a alma.

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Reborn and shivering
Spat out on new terrain
Unsure, unconvincing
this faint and shaky hour

Day one, day one
Start over again
Step one, step one
I’m barely making sense
For now I’m faking it
‘Til I’m pseudo-making it
From scratch, begin again
But this time I as “I”
And not as “we”

Gun-shy and quivering
Timid without a hint
Feign brave with steel intent
Little and hardly here

Day one, day one
Start over again
Step one, step one
With not much making sense
Just yet I’m faking it
’til I’m pseudo-making it
From scratch, begin again
But this time I as “I”
And not as “we”

Eyes wet,
Toward wide open frayed
If God is taking bias,
I pray he wants to lose

Day one, day one
Start over again
Step one, step one
I’m barely making sense
Just yet I’m faking it
‘Til I’m pseudo-making it
From scratch, begin again
But this time I as “I”
And not as “we”

 

 

Não Como Nós

Renascida e insegura
Cuspida em novo terreno
Incerta, sem convicção
Essa fraca e instável hora

 

Primeiro dia, primeiro dia
Começa outra vez
Primeiro passo, primeiro passo
Eu mal estou fazendo sentido pra mim
Eu finjo até eu pseudo-conseguir
Começar do zero outra vez, mas agora “eu” como “eu”
E não como “nós”

 

Hesitante e agitada
Tímida, sem uma mão
Disfarço-me de brava com intenções de aço
Pequena e distante

 

Primeiro dia, primeiro dia
Começa outra vez
Primeiro passo, primeiro passo
Eu mal estou fazendo sentido pra mim
Eu finjo até eu pseudo-conseguir
Começar do zero outra vez, mas agora “eu” como “eu”
E não como “nós”
Olhos molhados
Abertos e cansados
Se Deus está fazendo apostas
Eu rezo que ele queira perder

 

Primeiro dia, primeiro dia
Começa outra vez
Primeiro passo, primeiro passo
Eu mal estou fazendo sentido pra mim
Eu finjo até eu pseudo-conseguir
Começar do zero outra vez, mas agora “eu” como “eu”
E não como “nós”

 

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There are places I remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain
All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I’ve loved them all

But of all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life I love you more

Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life I love you more
In my life I love you more

 

Há lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns já nem existem, outros permanecem
Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar
Alguns já se foram, outros ainda vivem
Em minha vida, amei a todos eles
Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso no amor como uma coisa nova
Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você
Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você
Em minha vida… eu amo mais a você

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