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Archive for junho \19\UTC 2011

Vivir sin aire

Vivir Sin Aire

(Maná)


Cómo quisiera poder vivir sin aire
Cómo quisiera poder vivir sin agua
Me encantaría quererte un poco menos.
Cómo quisiera poder vivir sin ti

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera poder vivir sin aire
Cómo quisiera calmar mi aflicción
Cómo quisiera poder vivir sin agua
Me encantaría robar tu corazón.

¿Cómo pudiera un pez nadar sin agua?
¿Cómo pudiera un ave volar sin alas?
¿Cómo pudiera la flor crecer sin tierra?
Cómo quisiera poder vivir sin ti.

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera poder vivir sin aire
Cómo quisiera calmar mi aflicción
Cómo quisiera poder vivir sin agua
Me encantaría robar tu corazón.

Cómo quisiera lanzarte al olvido
Cómo quisiera guardarte en un cajón
Cómo quisiera borrarte de un soplido
Me encantaría matar esta canción.

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As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Óleo sobre tela – Danaë – Gustav Klimt – 1907 – coleção particular)

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“FAUSTO:

Reza por mim Maria

MARIA:

(Rezo por ti? Sim rezarei. Mas o que tens?)

FAUSTO:

Reza por mim e diz a Deus (…)
Reza por mim, Maria, e eu sentirei
Uma calma d’amor sobre o meu ser,
Como o luar sobre um lago estagnado,
A fazê-lo um milagre de beleza.
Reza por mim e diz: Oh Deus, meu Deus,
Fazei-o inda feliz esse a quem amo
(Se é que me amas…).

MARIA:

Inda duvidas, meu amor?

FAUSTO:

Dize: Fazei feliz esse a quem amo
E que, qual condenado pela vida,
Arrasta a grilheta da dor,
Cujos olhos não choram por não ter
Na alma já lágrimas p’ra chorar,
Que, tendo erguido o seu pensar ao cume
Do humano pensar… Não, não importa,
Não digas nada, reza e que a tua alma,
Compadecendo-se de mim encontre
Os termos, as palavras que na prece
Murmurará… Choras? Fiz-te chorar?

MARIA:

Sim… Não… Eu choro apenas de te ver
Triste e (…) sem que eu compreenda
Tua tristeza, meu amor. Vem ela
De alguma dor — oh dize-me, partilha
Comigo a tua dor que eu te darei
O meu carinho, porque te amo tanto…

FAUSTO:

Tu amas-me, tu amas-me, Maria?

MARIA:

Ah, tu duvidas? Meu amor, duvidas?
Temes talvez que o meu acanhamento,
Que vem d’amor, eu não sei como, seja
Indiferença… Não… ah não o creias!
Eu não tenho a viveza, nem a ardência
Que algumas têm, tremo de mim mesma
Do meu amor, mas eu não sei por quê…
Mas amo-te… Se te amo, porque hás-de
Tu duvidar de mim?
Ah, se palavras
Podem levar a alma nelas, Fausto,
Se o amor, este amor como eu sinto,
Pode dizer-se sem o duvidar
Se o que eu sinto em minha alma quando te vejo
Quando sinto o teu passo, quando penso
Em ti, amor, em ti, se olhares, beijos
Podem mostrar o amor, todo o amor —
Crê que as minhas palavras, os meus beijos,
O meu olhar têm esse amor.
Se eu não posso
Gritar:amor, amor, ardentemente
E desmedidamente, e a voz em fogo,
É que em mim mesmo, nasce-me um pudor
De o dizer muito alto (mas não creias
Que é por amar-te pouco, que só é
De amar-te muito e amar-te como te amo)
Se isto não faço, não duvides, não…
Eu não sei dizer mais; não aprendi
Como o amor fala não, não aprendi,
Porque o amor não fala, não pode
Dizer-se todo, senão não seria
Amor, ao menos este amor que eu sinto.
Não sei, não sei dizer-te… Não duvides!
Eu pareço talvez fria aos teus olhos;
Não duvides que eu sofra muito, muito
Por duvidares
E eu amo-te… Meu Deus, como eu te amo!

FAUSTO (aparte):

Como eu sinto de ouvi-la e de sentir
(Sentir pelo meu pensamento) quanto
É aquele amor e como ele é amor,
Minha alma fria, meu coração frio!
Aquilo é amor… Eu, pois, nunca amarei…
Que ela fala e eu compreendo (se compreendo!
Quanto ela ama, como ela fala amor).
Nada sinto em mim que nasça, surja
E vá de encontro ao seu amor. Não posso
Fazer erguer em mim um sentimento
Que dê as mãos àquele. E, de o não poder,
Eu mais frio me sinto, mais pesado
N’alma, na minha desconsolação.
Como me sinto falso, falso a mim mesmo,
Falso à existência, falso à vida, ao amor!

(alto)

Perdoa, amor

(aparte)

Amor! Como me amarga
De vazia em meu ser esta palavra!
Como de isso assim ser me encolerizo!

(alto)

Perdoa, meu amor!
Cedo aprendi a duvidar de tudo
Por duvidar de mim, sem o querer,
Sem razão de o querer ou de o pensar
Durante em honras, amor, felicidade…
Em tudo… Mas eu creio em ti, Maria,
Eu creio em ti… Como és bela! Não, não chores,
Quero falar ternura e não o sei;
Tenho a alma fria — oh raiva! é impossível.”

 

in Fausto – Tragédia Subjectiva. Fernando Pessoa. Lisboa: Presença, 1988. -p. 101.

Fausto e Margarida – óleo sobre tela de Pedro Américo – Pinacoteca de São Paulo

Faust – Água forte de Rembrandt (1652) Rijksmuseum – Amsterdam

Scenes from Faust – Moritz Retzsch

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“Quando, Lídia, vier o nosso outono

Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.”

 

“Sofro, Lídia, do medo do destino.

A leve pedra que um momento ergue

As lisas rodas do meu carro, aterra
Meu coração.

Tudo quanto me ameace de mudar-me
Para melhor que seja, odeio e fujo.

Deixem-me os deuses minha vida sempre
Sem renovar
Meus dias, mas que um passe e outro passe
Ficando eu sempre quase o mesmo, indo
Para a velhice como um dia entra
No anoitecer.”

 

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“Por trás da torre o luar

Faz a torre uma outra torre.

A voz alegre a cantar

É-me triste de a escutar,

Pois sei que quem canta morre.

Tenho pena de sentir

Porque sentir é pensar.

 

A torre é negra e esplendente.

A lua oculta por ela

É um halo de luz ausente

Meu coração é dormente:

Cisma sentado à janela.

Tenho pena de pensar

Porque quem pensa não sente.”

Fernando Pessoa (13/06/1934)

(in Pessoa, Fernando – Poesia 1931-1935 e não datada – Companhia das Letras – 2009 – p. 281)

Em homenagem ao aniversário de Fernando António de Nogueira Pessoa em seu  123º aniversário de nascimento.

(Foto de Charlie Riedel – Lua cheia nasce atrás de torre em arte déco da antiga cidade de Kansas, nos EUA)

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Chanson de la Plus Haute Tour

 "Oisive jeunesse
 À tout asservie;
 Par délicatesse
 J' ai perdu ma vie.

 Ah! Que le temps vienne
 Où les coeurs s' éprennent.
 Je me suis dit: laisse,
Et qu' on ne te voi: 
Et sans la promesse
De plus hautes joies.
 Que rien ne t' arrête
 Auguste retraite.

 J' ai tant fait patience
 Qu' a jamais j' oublie;
Craintes et souffrances
Aux cieux sont parties.
 Et la soif malsaine
 Obscurcit mes veines.

Ainsi la Prairie
 À l' oubli livrée,
 Grandie, et fleurie
 D' encens et d' ivraies
 Au bourdon farouche
 De cent sales mouches.

 Ah! Mille veuvages
De la si pauvre âme
 Qui n' a que l' image
 De la Notre-Dame!
 Est-ce que l' on prie
 La Vierge Marie?

Oisive jeunesse
 À tout asservie
 Par délicatesse
 J'ai perdu ma vie.
 Ah! Que le temps vienne
 Où les coeurs s' éprennent!" 

Canção da Torre Mais Alta

 "Ociosa juventude
 De tudo pervertida
 Por minha virtude
 Eu perdi a vida.
 Ah! Que venha a hora
 Que as almas enamora.

 Eu disse a mim: cessa,
 Que eu não te veja:
 Nenhuma promessa
De rara beleza.
 E vá sem martírio
 Ao doce exílio.

 Foi tão longa a espera
 Que eu não olvido.
 O terror, fera,
 Aos céus dedico.
 E uma sede estranha
 Corrói-me as entranhas.

 Assim os Prados Vastos,
 floridos De mirra e nardo
 Vão esquecidos
 Na viagem tosca
 De cem feias moscas.

 Ah! A viuvagem
 Sem quem as ame
 Só têm a imagem
 Da Notre-Dame!
 Será a prece pia
 À Virgem Maria?

 Ociosa juventude
 De tudo pervertida
 Por minha virtude
 Eu perdi a vida.
 Ah! Que venha a hora
 Que as almas enamora!"

Ilustração: Torre de Babel (Tower of Babel). M.C. Escher, 1928
'M.C. Escher. Universos Infinitos / Infinite Universes'

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Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos.
Tudo perda de tempo.


Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo.
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.”

 

 

(Martha Medeiros em O divã)

(cenas do filme The Notebook – 2004 – O diário de uma paixão no Brasil)

“I want all of you, forever, you and me, every day.” (Eu quero você toda, eternamente, você e eu, todos os dias.”) Noah (to Allie) in the movie The notebook – 2004

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