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Archive for agosto \30\UTC 2011

"Creo en mi corazón, ramo de aromas          Creio em meu coração, bouquet de aromas
que mi Señor como una fronda agita,          que meu Senhor como uma folha agita,
perfumando de amor toda la vida              perfumando de amor toda a vida
y haciéndola bendita.                        e fazendo-a bendita.

Creo en mi corazón, el que no pide           Creio em meu coração, ele que não pede
nada porque es capaz del sumo ensueño        nada porque é capaz do sonho supremo
y abraza en el ensueño lo creado:            E abraça no seu sonho o que criou:
¡inmenso dueño!                              Imenso dono!

Creo en mi corazón, que cuando canta         Creio em meu coração, que quando canta
unde en el Dios profundo el flanco herido,   Deus aprofunda o seu flanco ferido,
para subir de la piscina viva                para subir da piscina viva
recién nacido.                               recém nascido.

Creo en mi corazón, el que tremola           Creio em meu coração, aquele que treme
porque lo hizo el que turbó los mares,       porque tornou turbulentos os mares,
y en el que da la Vida orquestaciones        e é nele que a Vida se orquestra
como de pleamares.                           como as marés altas.

Creo en mi corazón, el que yo exprimo        Creio em meu coração, aquele que aperto
para teñir el lienzo de la vida              para ter a cor da vida
de rojez o palor, y que le ha hecho          do vermelho ao pálido, e que lhe tem feito
veste encendida.                             suas vestes para adiante.

Creo en mi corazón, el que en la siembra     Creio no meu coração, aquele que no plantio
por el surco sin fin fue acrecentado.        pelo sulco sem fim foi aumentado.
Creo en mi corazón siempre vertido           Creio em meu coração sempre derramado
pero nunca vaciado.                          mas nunca vazio.

Creo en mi corazón en que el gusano          Creio em meu coração no qual o verme
no ha de morder, pues mellará a la muerte;   não há de morder, pois impressionará a morte;
creo en mi corazón, el reclinado             Creio em meu coração, reclinado
en-el pecho de Dios terrible y fuerte."      no peito de Deus terrível e forte.

("Wreckers, Coast of Northumberland," 1834 by the English artist J. M. W. Turner.
 Yale Center for British Art.)

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Acabei de ler o delicioso livro de Jane Austen – A Abadia de Northanger.  A narrativa deste livro menos conhecido do que Razão e Sensibilidade e Orgulho e preconceito é interessante, pois a autora interage com o leitor em vários momentos durante o curso da estória. E esses momentos em que a autora dá a sua opinião são carregados de comentários irônicos e divertidos. Lembrou-me muito dos comentários de Machado de Assis em seus romances.

Muito me chamou a atenção a noção de velocidade (e principalmente o tempo que era necessário para chegar de Tetbury a Bath, seja essa distância de 35 ou 40 quilômetros.). Segue esse trecho em particular:

“… Ele tirou o relógio do bolso e disse:

– Quanto tempo acha que levamos para vir de Tetbury para cá, Srta. Morland?

– Não sei a distância – respondeu Catherine.

James lhe disse que eram trinta e cinco quilômetros.

– Trinta e cinco! – exclamou Thorpe. – São quarenta, no mínimo!

Morland protestou e convocou a autoridade de mapas, donos de estalagens e tabuletas de estrada. Mas seu amigo desprezou tudo isso, pois tinha uma maneira mais segura de calcular a distância.

-Sei que só podem ser quarenta quilômetros – disse ele – pelo tempo que levamos. É uma e meia da tarde agora. Saímos da estalagem em Tetbury no momento em que o relógio da cidade marcava onze horas. E eu desafio qualquer homem na Inglaterra a obrigar o meu cavalo a correr menos de dezesseis quilômetros por hora estando atrelado; isso dá exatamente quarenta.

-Você esqueceu uma hora – disse Morland. – Eram apenas dez quando saímos de Tetbury.

-Absurdo! Eram onze, dou-lhe minha palavra! Contei cada badalada. Esse seu irmão consegue me tirar do sério, Srta. Morland. Olhe só para o meu cavalo. Já viu animal mais adequado para a velocidade em toda a sua vida? – perguntou Thorpe enquanto o criado montava no cabriolé e levava-o dali. – Um puro sangue! Ora levar três horas e meia para atravessar apenas trinta e cinco quilômetros! Olhe para aquela criatura e veja se isso é possível.” (Austen, Jane -A Abadia de Northanger – Rio de Janeiro: BestBolso, 2011 p. 42/43)

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“Tú no me conoces todavía bien, mi amor. Tú ignoras la profundidad de mi vínculo contigo.

Dame tiempo, dámelo, para hacerte un poco feliz. Tenme paciencia,espera a ver y a oír lo que tú eres para mí”

(trecho de Correspondência de Gabriela Mistral – poetisa chilena – a Doris Dana, sua secretária e companheira em 22 de abril de 1949)

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Ontem revi o excelente filme argentino O segredo dos seus olhos do diretor Juan Jose Campanella (diretor do também excelente O filho da noiva).

Assistir novamente um filme novamente sempre me proporciona a experiência de não estar tão atenta à trama principal e me deixar encantar pelos detalhes. Ontem cheguei à conclusão que o filme não é sobre uma obsessão ou amor recolhido. É um filme que fala de covardia. Covardia ante o sentimento de inferioridade, covardia ante a violência, covardia de se assumir o que realmente se quer e as suas consequências. O resultado dessa covardia é uma pergunta que é a chave do filme: “Como viver uma vida cheia de nada?”.

O que em verdade preenche a nossa vida? Será a nossa profissão, a família, os filhos, crenças, os nossos hábitos, gostos ou os nossos bichos? Ou será que além de tudo isso, ou para que tudo isso tenha valor é necessário algo mais?

O filme sugere que sem a paixão nada mais na vida pode ter sentido. Mas para  assumir uma paixão e as suas consequências inevitáveis é necessária uma grande dose de coragem. Paixão é algo que não se pode mudar, diz Pablo Sandoval, um dos personagens da trama secundária do filme. Ele tem razão.  O que te apaixona, assim o faz porque toca algo que está intimamente ligado com a sua essência. E o essencial não pode ser mudado. Podemos esconder, fingir que não está lá, mas sabemos que está, e está gritando aquele grito silencioso e ao mesmo tempo ensurdecedor nos ouvidos da sua consciência. 

O que dá sentido à sua vida? O que faz com que a rotina diária de acordar pela manhã, escovar os dentes, tomar o desjejum, trabalhar, almoçar, trabalhar, voltar para casa, enfrentar o trânsito, banhar-se e dormir não seja só uma sequência infindável do mesmo que se repete diariamente? Campanella nos mostra nesse filme o que daria sentido à vida dos personagens desse filme maravilhoso. Recomendo.

título original:El Secreto de sus Ojos
• gênero:Drama
• duração:02 hs 07 min
• ano de lançamento:2009
• site oficial:http://www.elsecretodesusojos.com/
• estúdio:100 Bares / Canal+ España / Haddock Films / Tornasol Films / ICAA / INCAA / ICO / TVE / Telefe
• distribuidora:Sony Pictures Classics / Europa Filmes
• direção: Juan José Campanella
• roteiro:Eduardo Sacheri e Juan José Campanella, baseado em livro de Eduardo Sacheri
• produção:Gerardo Herrero, Juan José Campanella e Vanessa Ragone
• música:Federico Jusid e Emilio Kauderer
• fotografia:Félix Monti
• direção de arte:
• figurino:Cecilia Monti
• edição:Juan José Campanella
elenco:
• Ricardo Darín (Benjamin Esposito)
• Soledad Villamil (Irene Menéndez Hastings)
• Pablo Rago (Ricardo Morales)
• Javier Godino (Isidoro Gómez)
• Guillermo Francella (Pablo Sandoval)
• José Luis Gioia (Inspetor Báez)
• Carla Quevedo (Liliana Coloto)

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Um índio cherokee falou a seu neto sobre uma batalha que se desenrolava  dentro de si:

“Meu filho”, disse ele, “a vida é vivida entre dois lobos. Um é cheio de ira, inveja, dor, autopiedade, inferioridade e superioridade. O outro é pleno de alegria, paz, esperança, humildade, bondade e fé.”

O neto perguntou ao avô: “Qual lobo vence?”

O velho simplesmente respondeu: “O que eu alimento”.

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Shiver

So I look in your direction
But you pay me no attention, do you?
I know you don’t listen to me
‘Cause you say you see straight through me, don’t you?
But on and on
From the moment I wake
To the moment I sleep
I’ll be there by your side
Just you try and stop me
I’ll be waiting in the line
Just to see if you care
Oh, did you want me to change?
Well I’ve changed for good
And I want you to know that you’ll always get your way
And I wanted to say
Don’t you shiver
You shiver
Sing it loud and clear
I’ll always be waiting for you
So you know how much I need you
But you never even see me, do you?
And is this my final chance of getting you?
But on and on
From the moment I wake
To the moment I sleep
I’ll be there by your side
Just you try and stop me
I’ll be waiting in the line
Just to see if you care, if you care
Oh, did you want me to change?
Well I’ve changed for good
And I want you to know that you’ll always get your way
And I wanted to say…
Don’t you shiver
Don’t you shiver
Sing it loud and clear
I’ll always be waiting for you
Yeah I’ll always be waiting for you
Yeah I’ll always be waiting for you
Yeah I’ll always be waiting for you
For you, I will always be waiting
And it’s you I see
But you don’t see me
And it’s you, I hear
So loud and so clear
I sing it loud and clear
And I’ll always be waiting for you
So I look in your direction
But you pay me no attention
And you know how much I need you
But you never even see me

Arrepio

Então eu olho em sua direção,
Mas você não presta atenção em mim, não é?
Eu sei que você não me ouve,
Porque você diz que você vê direto através de mim, Não vê?
Mas de agora em diante,
Do momento que eu acordo,
Ao momento em que eu durmo,
Estarei lá ao seu lado,
É só você tentar e me parar,
Estarei esperando na fila,
Só para ver se você se importa
Oh, você queria que eu mudasse?
Bem, eu mudei pra melhor,
E eu quero que você saiba que você sempre continuará do seu jeito
E eu queria dizer
Você não se arrepia?
Você se arrepia
Eu cantarei alto e claro
E sempre estarei esperando por você
Então você sabe o quanto eu preciso de você,
Mas você nunca sequer me viu, não é?
E essa é minha chance final de ter você?
Mas sem parar,
Do momento que eu acordo,
Ao momento em que eu durmo,
Estarei ali a seu lado
Só você me provoca e me para,
Estarei esperando na fila
Só para ver se você se importa, se você se importa
Você quis que eu mudasse?
Bem eu mudei pra melhor,
E eu quero que você saiba que você sempre será do mesmo jeito
E eu queria dizer…
Você não se arrepia?
Você não se arrepia?
Eu cantarei alto e claro
Eu sempre estarei esperando por você
Sim eu sempre estarei esperando por você
Sim eu sempre estarei esperando por você
Sim eu sempre estarei esperando por você
Por você, eu estarei sempre esperando
E é você quem vejo
Mas você não me vê
E é você, eu ouço,
Tão alto e tão claro
Eu canto isso alto e claro
E eu sempre estarei esperando por você
Então eu olho em sua direção,
Mas você não presta atenção em mim,
E você sabe o quanto eu preciso de você
Mas você nem nunca me vê

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Fui visitar a impressionante exposição Dores da Colômbia do artista Fernando Botero. Impressionante é só uma palavra e não consegue descrever com precisão o sentimento profundo que nos arrebata a alma ao presenciar o sofrimento latente impresso nas 67 obras que fazem parte da exposição.

As obras foram doadas pelo artista que disse que não faria dinheiro com a dor do seu país. O Museu Nacional da Colômbia, evocando a ideia inicial do artista, transformou a obra  em uma exposição itinerante para que o cotidiano da violência colombiana fosse testemunhado por pessoas no mundo todo.

É estranho como ao assistir as notícias de violência nos telejornais, apesar de sentir uma solidariedade com o sofrimento alheio, é algo meio distante, como que pasteurizado pelo formato do noticiário televisivo. Ao ver a dor estampada nos olhos prostrados dos quadros de Botero o choque é inevitável. O sentimento que me tomou de assalto foi um misto de angústia e impotência. 

Como ficar indiferente ao ver prevalecer o domínio de campesinos indefesos contra a força de uma violência implacável comandada pelo narcotráfico. A impressão que tive é a de um país de órfãos completamente abandonados ao sofrimento incessante. A verdade é que as obras tem a capacidade de fazer visível o invisível. Um dos quadros que mais me impressionou foi a de um retirante que leva um saco com parcos pertences e a filha pela mão. Sobre o saco nas costas um esqueleto mostra o peso da morte que não consegue ser deixado para trás.

Não há misericórdia. Nem da violência sofrida, nem do artista para com o seu público. Não há a experiência de um prazer estético e penso que nem era essa a intenção do artista. O registro para mim foi da compreensão exata e sensível da injustiça e da dor de tantos. Penso que o artista buscou exatamente isso: mostrar a realidade para que esta comova o expectador ante a violência inaceitável.

O mergulho nessa dor que nos é apresentada é potencializada pelo silêncio que nos rodeia e do grito mudo pedindo por clemência. Há um sofrer com paciência e abnegação nas telas, o que me fez sentir tão amarrada e impotente como a figura de costas encarcerada.

É uma experiência sofrida e cruel, mas muito necessária para que nos conscientizemos da dor dos demais.

 

 

 

 

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